4.6.10

Semana do Meio Ambiente

Oi gente, para comemorarmos a semana do meio ambiente, vamos postar um artigo que trata da superlotação dos hospitais na rede pública, que é mais um problema ambiental.
Na discussão abaixo, redigida por um jornalista,analisaremos como devemos nos inserir e discutir como cidadãos um problema que envolve a saúde pública!!!!!

Espero respostas!!!

obs.: aos alunos que quiserem redigir alguma opinião ou crítica a respeito da matéria, peço que enviem e-mails ou postem no próprio blog... selecionaremos as melhores postagens e publicaremos aqui, em nosso aconchegante espaço!!

Artigo publicado no jornal "O Imparcial" em 03/06/2010



A crise deve ser posta em debate

A suspensão de novas entradas de pacientes no Serviço de Pronto Atendimento (SPA), a emergência do Hospital Materno Infantil, unidade do Hospital Universitário Presidente Dutra, em São Luís, reflete a dura realidade a qual população de todo o Estado vem submetida há décadas; um cotidiano de usurpação de direitos essenciais, no caso, à saúde. É bem sabido de todos, principalmente das autoridades gestoras da saúde no Maranhão, que o artigo 196 da Constituição Federal garante a saúde como “direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Mas é fato que há muitos e muitos anos os hospitais da capital vivem superlotados por conta da inexistência de unidades de saúde no interior do estado ou do desaparelhamento humano e material das que existem; conjuntura que gera espetáculos da mais torturante tragédia humana à porta dos hospitais de emergência e de referência de atendimento na capital.
São mães que carregam o filho agonizante no colo durante horas em viagem de ambulância pelas rodovias do estado. Muitas delas testemunham a vida se esvaindo das crianças antes de haver tempo para chegar. As gestantes de alto risco enfrentando, cheias de dores, percurso e condições de transporte desgastantes até para um atleta em plena forma. As que conseguem chegar enchem os olhos de esperança, mas esta logo se transforma em lagrimas de decepção e de desespero, porque outras em mesma condição chegaram antes e não há mais vagas.
O SPA do Materno Infantil fechado já desde o dia 25 de maio reflete essa crise da saúde no Maranhão que se agravou ao longo dos anos e que agora dá sinais de que a situação chega ao limite. A questão não é só da saúde pública, não afeta somente aos muito pobres. Os ricos há muito deixam São Luís de avião, de helicóptero; para São Paulo, Brasília, Fortaleza, Teresina. Mas a classe média, daqueles que pagam plano de saúde, também está desassistida. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o que constatou o Ministério Público Estadual, que calculou um déficit de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na capital (veja matéria publicada em 9 de abril em OIMPARCIAL). Mesmo se acrescentados os leitos da rede privada, a carência é grave: São Luís possui 256 leitos de tratamento Intensivo, entre unidades adultas, pediátricas e neonatais. Seriam necessários aproximadamente 700, tendo em vista que há 7 mil leitos públicos e privados e a recomendação do Ministério da Saúde é que 10% dos leitos sejam UTIs, com limite mínimo de 4%.
Em Imperatriz, a crise deu outro sinal este ano com a morte de 17 pessoas somente entre janeiro e abril deste ano por ausência de vagas em UTIs, mesmo na rede privada.
O Ministério Público Federal reuniu com autoridades municipais e estaduais no primeiro dia do mês para tratar da suspensão do atendimento no SPA do Materno Infantil, questão, como vimos, que resvala no excesso de pacientes que partem do interior do estado em busca de atendimento nos hospitais de São Luís. Contudo, além de esperarmos que ações civis públicas obriguem o Estado a construir novos leitos e que se tenha pelo menos o mínimo do que é exigido, precisamos cobrar o que está previsto no artigo 196 da Constituição: as políticas de garantias do direito à saúde. Este deve ser um tema sobre o qual os candidatos a deputados estaduais e ao governo do estado devem se debruçar. Eleitores fiquem atentos e tentem separar as falácias, das ideias; as promessas, dos projetos; caso contrário, a crise vai perdurar muito mais ainda que pelos próximos quatro anos.

Autor: Cássio Bezerra, Jornalista.

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